Farmácia

Biologia

Farmacotécnica

Química

Biofísica

Embalagens

Para a preservação da estabilidade do produto é importante que ele tenha um acondicionamento adequado.

A embalagem e o produto não devem ser considerados como itens separados.
Os dois têm que combinar, tendo material compatível para que não haja contaminação nem do material da embalagem com o da preparação, nem a preparação seja contaminada com algum componente da embalagem.
Mantendo assim a pureza e integridade do produto.

Sorção: Contaminação da embalagem por passagem de substância da preparação para ela.


Lixiviação: Contaminação da preparação com substância liberada pela embalagem.



* As embalagens são classificadas em:


- Embalagem primária: É o recipiente que vai entrar em contato direto com o produto, no caso com a preparação manipulada.

- Embalagem secundária: É o recipiente para acondicionamento, que é a embalagem de apresentação e venda.
Nela está incluso a caixa, rótulo (material de identificação e informação), entre outros.


A função da embalagem além de manter a estabilidade do produto que acondiciona e promover a identificação e informação do produto, pode ser também facilitar o uso da preparação.


* As principais propriedades que uma embalagem deve conter para promover um bom acondicionamento é:

- Resistência
- Impermeabilidade
- Baixo peso e volume
- Inércia química (neutralidade não deixando ocorrer os processos de sorção e lixiviação).



Embalagem de Vidro


Vidro é formado por silicatos minerais.
O vidro comum é formado por Si, Ca, Na; chamado de: silicocalcicosódico.
 

Esse vidro comum passará para o líquido que armazenar, pequenas quantidades de bases solúveis, formadas por soda e cal (lixiviação).
Por causa desse meio alcalino pode ocorrer reações como a saponificação de ésteres, aparecendo precipitados na fórmula.

Mas existem diversos tipos de vidros, que podem ser tratados e sendo então considerado um material de embalagem estável, não se deteriorando, e com resistência ao aquecimento.
Aguenta o ataque de ácidos, bases e água. Além de poder armazenar produtos orgânicos sem sofrer qualquer ação do produto.

A transparência do vidro permite a observação de variações da preparação, podendo perceber alterações da estabilidade física, essa transparência ainda pode ser melhorada pela coloração para âmbar, protegendo a fórmula da degradação pela luz.

Possui certa inércia química com a maioria dos compostos, com exceção do flúor e seus derivados que quando armazenados em recipiente de vidro, a sílica reage com o flúor e ocorre lixiviação, sendo a preparação contaminada.

Possui facilidade de limpeza.

Porém é um material frágil que quebra frente a choques e rápidas variações de temperatura (dependendo do coeficiente de dilatação do vidro, os borosilicatos se dilatam facilmente).
Pela fragilidade ele aumenta o custo por necessitar de embalagens protetoras e de certos cuidados na expedição e transporte.


O processo de lixiviação que o vidro pode causar em determinados produtos (como os derivados de flúor), ocorrem com mais frequência dependendo do vidro e quando há aquecimento do produto na embalagem como em casos que se faz esterilização por calor.



Embalagens de vidro são ideais para idosos, pois necessitam de embalagens mais pesadas. 
Também podem ser utilizadas para armazenar vitaminas e complexos vitamínicos, principalmente na cor âmbar (impedindo fotodegradação das vitaminas), pois embalagens de metal oxidam as vitaminas rapidamente.

Embalagem de Papel


É usada para acondicionar pós ou alguns poucos comprimidos.

Comumente usado para fazer envelopes, cada um sendo uma dose, contendo pós para serem dissolvidos.
Porém o papel sozinho não é utilizado atualmente, pois ele dificilmente protege contra umidade e contra o ar (gases como oxigênio).

O papel sozinho é utilizado hoje em dia somente como embalagem secundária, como por exemplo caixas de papel cartonado.

Para se fazer envelopes com pó ou saches ou formas farmacêuticas derivadas é utilizado papel com revestimento, como de plástico, de folhas de metal, etc.
Assim podem ser utilizados e considerados como embalagem primária.

Essa embalagem também é suscetível a processos de lixiviação e sorção.




Embalagem de Plástico


Plástico é um polímero formado por monômeros de carbono e a adição de grupos funcionais à essas cadeias podem causar grandes variações no plástico final.



* Termoplásticos:
São plásticos que podem sofrer aquecimento e resfriamento repetidas vezes, como o polietileno, poliestireno, o PVC (cloreto de polivinila), o nylon, entre outros.


- O PVC tem alta compatibilidade por isso é uma das melhores embalagens para Elixires.
Porém não pode ser usado como embalagem para por exemplo Sulfato de Neomicina, no caso para preparações com enxofre, pois sofrem reação de dupla troca, perdendo-se a embalagem.

Incompatibilidade que também ocorre com um Elixir de laranja por exemplo, não se poderia utilizar embalagens de PET, pois o ácido cítrico é incompatível com esse tipo de embalagem.

* Termoduros: São plásticos que quando sofrem aquecimento amolecem.


Os plásticos são leves e possuem resistência a impactos (diferentes dos vidros).

Embalagens feitas de plástico, além de proteção da fórmula e poder haver identificação e informações, também poderá ser feita com o intuito de facilitar a aplicação.

Com plástico foi desenvolvido embalagens onde as doses ficam bem organizadas e separadas, sem sofrer muito atrito e facilitando o uso como os blísteres (cartela de unidose) e strips (várias doses), dispensadores e outros.

Os plásticos possuem certa permeabilidade que permite a passagem de alguns líquidos e gases, além de não serem, em sua maioria, muito resistentes ao calor.
A passagem de líquido e gases favorece a ocorrência de hidrólise e oxidação, além de poder ocorrer crescimento microbiano e solidificação de preparações com pós higroscópicos (por absorverem umidade).

Os plásticos deformam facilmente e pode ocorrer sorção com alguns corantes e flavorizantes, que deixam a cor e o odor no recipiente.
A sorção pode ocorrer também com outros componentes da formulação com o plástico.
Os plásticos podem promover também lixiviação causando efeito tóxico na fórmula, pela passagem de componentes do plástico como estabilizantes, plastificantes, antioxidantes que são adicionados ao polímero na sua fabricação, para a fórmula.
Essa lixiviação é favorecida pelo aumento da temperatura e por agitação excessiva.

- O tipo de plático PP é o melhor material para embalagem de medicamentos, pois não passa cheiro para o produto.


Embalagem de Metal


É utilizado com frequência com a função também de facilitar a aplicação, como embalagens de alumínio revestido de estanho, que são maleáveis e leves, proporcionando esse modo de utilização (como com pomadas).

O produto fica protegido em sua maior parte, só entrando em contato com o meio externo uma pequena quantidade dele, quando extruído.

São impermeáveis a luz, gases, umidade e protegem o produto contra o calor.
Por essa impermeabilidade são ideais para fórmulas susceptíveis à oxidação.





1 comentários:

JAIR ARAÚJO disse...

Qual o motivo que leva a indústria farmacêutica optar pelo tubo de alumínio e não pelo de plástico, uma vez que os clientes reclamam que o primeiro permite que tubo fique cheio de ar, com menos contúdo?

Postar um comentário